O recorte espaço-temporal deste estudo é Portugal e o Brasil Colônia entre os anos de 1497 e 1773, período em que houve a distinção religiosa que ficou conhecida como “cristão-novo”, utilizada para designar os judeus convertidos ao catolicismo - foi chamado de “marrano” aquele que de forma velada continuava a praticar o judaísmo. Com apoio em fontes primárias e secundárias, investiga-se a alimentação do cristão-novo no Brasil colonial, que aqui é considerada como suporte da identidade e memória judaica que esteve ligada ao surgimento de uma história do judaísmo em nosso país. Os resultados da pesquisa permitem demonstrar que o complexo sistema jurídico e inquisitorial, edificado pela Coroa Portuguesa e pela Igreja Católica, com o manifesto propósito de discriminar e perseguir os cristãos-novos, não foi suficiente para impedir a permanência de tradições e práticas alimentares do judaísmo, e que estas também não ficaram totalmente impermeáveis à assimilação de uma rica oferta de novos alimentos e da diversidade cultural que o encontro de povos de diferentes origens pode mesclar.
Palavras-chave: História das Religiões. História da Alimentação. Inquisição.